
Antes da internet existir, as coisas eram bem diferentes. Nada de artigos ou livros na palma da mão. As anotações eram todas no papel, e a busca por conhecimento dependia dos livros, jornais, panfletos ou até conversas. As bibliotecas, o rádio e a televisão eram as grandes fontes de informação.
Nessa época, espalhar fake news era mais difícil porque a velocidade da informação se mostrava lenta e o controle do que era publicado apresentava um pouco mais de rigidez. Mas, nem todo mundo tinha acesso a um ensino de qualidade. Muitas cidades no Brasil não tinham bibliotecas ou escolas por perto, e a escolaridade boa ficava com os mais ricos e o analfabetismo, sendo comum entre os mais pobres. Então, de um lado a informação se mostrava mais “confiável”, e pelo outro, ela nem sempre chegava para todos.
A internet só começou a se estabelecer de verdade por volta dos anos 2000, e aí tudo mudou. De repente, anotações podiam ser feitas em computadores e celulares, redes sociais surgiram, e o conhecimento ficou a um clique de distância. Não precisava mais sair de casa pra encontrar um artigo ou aprender algo novo. Livros, aulas, vídeos, tudo estava na internet. Hoje, na era digital, os jovens passam boa parte do tempo nas telas, seja no celular, tablet ou notebook. Mas isso não quer dizer que o aprendizado perdeu valor, ele só mudou de cara.
Hoje, dá pra estudar em qualquer lugar. Quer ler um artigo acadêmico? Tá no notebook, celular, tablet. Quer assistir a uma aula? Tem no YouTube. Quer um livro? Repositórios digitais estão aí pra isso. A internet democratizou o acesso ao conhecimento, mas também trouxe desafios, como a exclusão digital, nem todo mundo tem uma internet boa ou um dispositivo pra acessar. Fora isso, as fake news, que antes eram um pouco mais raras, agora se espalham na velocidade da luz.
Embora a internet tenha facilitado a vida, o papel ainda tem seu lugar no aprendizado. O caderno que é utilizado para anotar não está ultrapassado. Um estudo feito em uma universidade japonesa, liderado pelo professor Kuniyoshi L. Sakai, mostrou que escrever no papel ativa mais o cérebro e ajuda a lembrar melhor das coisas depois.
“Na verdade, o papel é mais avançado e útil em comparação com documentos eletrônicos porque contém mais informações únicas, o que contribui para uma melhor recuperação da memória”.
Kuniyoshi L. Sakai.
No estudo, 48 voluntários entre 18 e 29 anos foram testados, e quem usou papel terminou as tarefas mais rápido do que quem usou tablet ou celular. O professor Sakai também disse que o cérebro dos jovens, que ainda estão em desenvolvimento são mais sensíveis a essas diferenças.
“É razoável que a criatividade de alguém provavelmente se tornará mais frutífera se o conhecimento prévio for armazenado com um aprendizado mais forte e recuperado com mais precisão da memória. Para arte, composição musical ou outros trabalhos criativos, eu enfatizaria o uso de papel em vez de métodos digitais”.
Kuniyoshi L. Sakai.
O melhor é que não precisa escolher entre o papel e a tela. O importante é que todos tem um espaço no processo de aprendizagem e busquem equilíbrio. A internet abriu portas mas também trouxe desafios. O caderno ajuda na memória, e os dispositivos digitais contribuem para o acesso rápido e na democratização da informação. Formando uma dupla para aprender mais e melhor, se adaptando ao ritmo de cada um.
- Do caderno às telas: como o jeito de aprender mudou - 14/10/2025
