Como Assassin’s Creed Odyssey transforma a História em um mundo vivo

Lançado em 2018, Assassin’s Creed Odyssey é um jogo de ação em mundo aberto na Grécia Antiga durante a Guerra do Peloponeso. A Ubisoft (estúdio criador do jogo) utiliza a História como ferramenta de worldbuilding, criando um universo que mistura fatos reais, mitologia e uma narrativa interativa de forma equilibrada e cativante.

O plano de fundo do jogo é a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), um conflito real entre as cidades de Atenas e Esparta. Esse evento histórico não é somente o cenário onde a trama do jogo se passa, porém todo o coração da narrativa, o jogador, podendo assumir o papel de Alexios ou Kassandra, dois irmãos espartanos separados na infância de uma forma trágica. Criado como mercenário, o protagonista percorre o mundo grego em busca de respostas sobre sua origem e sobre uma misteriosa organização que manipula os rumos da guerra.

Ao longo da aventura, o jogador é constantemente influenciado pelo conflito da guerra, seja participando de batalhas, escolhendo lados políticos ou testemunhando as consequências da guerra em vilas e cidadãos comuns.

Além disso, é possível cruzar com figuras históricas como Péricles, Sócrates, Pitágoras, Cleon, Brásidas (e muitos outros). Esses personagens participam ativamente da narrativa, eles trazem dilemas morais, filosóficos e políticos que ainda fazem sentido no mundo real. É possível dialogar com Péricles sobre democracia, trocar ideais com Sócrates sobre moralidade, ou ajudar Hipócrates em experimentos médicos.

Péricles,
político e militar Ateniense
Sócrates, filósofo ateniense

A Ubisoft investiu pesado em pesquisas sobre história e arqueologia para dar vida à Grécia Antiga. Cidades como Atenas e Esparta foram reconstruídas com base em mapas, ruínas e documentos históricos. As roupas templos, esculturas e até o comportamento dos NCPs refletem o que se sabe sobre a cultura grega do século V a.C.

O resultado é um mapa vasto e vibrante, onde é possível escalar templos, participar de debates públicos, navegar pelo mar Egeu ou simplesmente assistir o pôr do sol sobre o Partenon. Caminhar pela Acrópole ou assistir a um discurso na Ágora é como participar de uma aula de história.

A cidade de Atenas, recriada para o jogo

Apesar do realismo histórico, Odyssey também se aprofunda nas lendas e mitos que moldaram o imaginário grego. Enfrentrar criaturas como a Medusa, ou Minotauro pode até parecer loucura, mas faz muito sentido dentro da proposta do jogo: mostrar como o mito e a realidade se confundiam na mentalidade da época.

Esses momentos não quebram a imersão, pelo contrário, ampliam a construção de mundo. O jogo entende que para os antigos gregos, o mundo natural e o sobrenatural coexistiam. Assim é possível alcançar um equilíbrio entre história e mitologia com naturalidade.

Medusa, Minotauro, Esfinge

Um dos maiores méritos de Assassin’s Creed Odyssey (e de toda a franquia AC) é transformar a História em algo vivo e interativo, o jogador não é só um espectador dos acontecimentos, ele participa deles, toma decisões e vê suas consequências se tornarem reais.

Além disso, o enredo pessoal do protagonista se entrelaça e mistura com os eventos de guerra a acontecimentos históricos e muita das vezes acontece de forma que explica certos acontecimentos, um exemplo seria a morte do herói espartano Brásidas e do líder ateniense Péricles.

Júlia
Júlia
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