O azul de anil

Um som de sirene ecoava décadas atrás, hoje a sirene avisa sobre os horários das aulas em uma escola estadual. Era nesse mesmo prédio que funcionava a antiga Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil, uma das principais indústrias maranhenses, inaugurada no final do século XIX, viveu o apogeu na década de 1930, quando chegou a produzir cerca de um milhão de metros de tecidos, naquela época, era comum surgir ao no entorno das fábricas vilas, assim foi com o bairro do anil, para assegurar a assiduidade dos funcionários, a indústria construiu casas na região para os empregados, mas muito mais gente foi atraída para viver no bairro que começará a ganhar “vida”.

A explicação para o nome da fábrica e para o nome do bairro , tem a ver com um rio de águas cristalinas, chamado de Rio anil, com a qual possuía águas azul como anil, um produto utilizado nas roupas brancas para deixar – las mais claras, pena que hoje em dia o rio anil só preserve mesmo o nome.

Os vizinhos contam e relembram como viviam naquela época, revelando que quando adolescentes as brincadeiras eram justamente um banho nas águas do rio, lembram que a fábrica funcionava com energias vindas das caldeiras, e foi justamente no ano de 1959 que um acidente com umrede suas Caldeiras, matou três operários na fabrica, dois anos depois a companhia faliu.Décadas mais tarde, o prédio antigo passou por uma grande recuperação e hoje abriga o IEMA. O bairro continuou a crescer, surgindo escolas, educandários , clubes, relatos que até um cinema tinha.

Eu sempre brinco que um melhor lugar para se ter todo e qualquer tipo de pensamento e descobertas com histórias contadas, é sentada em um banco de ônibus ao lado de uma janela, vento batendo no rosto a espera de um conto, relato e histórias, e nessas idas e vindas, aprendi um pouco mais sobre o bairro na qual moro a tantos anos, confesso, é estranho saber que já foi um bairro com grandes atributos, hoje meu querido só funciona como um “verbo de ligação”, ligando um bairro ao outro e servindo de passagem para veículos e nada mais, de resto? Só o nome do rio que permanece o mesmo

O poeta Bandeira Tribuzi já dizia que “ os sonhos do futuro, são glorias do passado” Pelo visto só a gloria permanece, os sonhos foram levados com o rio, talvez.

oliveiracarliane08
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